Minh'alma é como o deserto
De dubia areia coberto
Batido pelo tufão;
É como a rocha isolada
Pelas espumas banhadas
- dos mares na solidão -
Nem um luz de esperança
Nem um sopro de bonança
Na fronte sinto passar!
Os invernos me despiram,
E as ilusões que fugiram
Nunca mais hão de voltar!
Roem-me atrozes idéias,
A febre me queima as veias,
A vertigem me tortura! ...
Oh! por Deus! quero dormir,
Deixem-me os braços abrir
Ao sono da sepultura!
Despem-se as matas frondosas,
Caem as flores mimosas
Da morte na palidez:
Tudo, tuod vai passando,
Mas eu pergunto chorando
- Quando será minha vez ?
Vem , oh virgem descorada,
Com a fronte palida ornada
De cipreste funerário,
Vem! oh quero nos meus braços
Cerrar-te em meigos abraços
Sobre o leito mortuário!
Minh'alma é triste, penida,
Como a palmeira batida
Pela fúria do tufão;
É como a praiaque alveja ;
Como a planta que viceja
Nos muros de uma prisão!